Análise de Gangues de Nova York

Nova York, 1846. Uma multidão de imigrantes irlandeses - - os Dead Rabbits - - se prepara para lutar contra a gangue rival Natives pelo controle de Five Points, um pip particularmente rançoso na Big Apple. Lâminas são afiadas, cutelos erguidos e, sendo esta uma foto de Martin Scorsese, a comunhão é tomada. Uma batalha sangrenta então começa, transformando um quadrado nevado em um Slush Puppy rosa e deixando o líder dos imigrantes, Priest Vallon (Liam Neeson), derrubado pelo número oposto Bill The Butcher (Daniel Day-Lewis).





Avance para 1862 e nada mudou muito. Na verdade, está pior do que nunca: Five Points ainda é governado por Bill, bandos díspares de imigrantes brilham nas sombras, a polícia municipal luta contra a polícia metropolitana pelo direito de impor a lei e 37 bombeiros amadores trocam golpes enquanto prédios queimam ao lado eles. Dentro desta fornalha caminha o filho de Priest, Amsterdam (Leonardo DiCaprio), emergindo de 16 anos no reformatório com a imagem de seu pai moribundo ainda se desenrolando em seus olhos. O que ele quer é vingança. Mas, se ele quer matar Bill, primeiro tem que se aproximar dele...

Todo mundo agora deve conhecer a história conturbada do projeto de estimação de Scorsese - - o orçamento crescente, as brigas com o chefe da Miramax, Harvey Weinstein, a data de lançamento saltitante - - então vamos apenas acelerar para o filme em si. Bem, não é o massacre nem a obra-prima que todo mundo estava prevendo, mas, inevitavelmente, algo no meio.

Os críticos que esperam por Marty's Folly podem apontar para a auto-importância patente, flashbacks desnecessários, simbolismo religioso cozido demais, narração descontrolada (de novo) e um clímax transversal que é mais Phantom Menace do que Godfather. Mas o que falta a Gangs em sutileza - - e, às vezes, é muito condescendente - compensa em poder.



Há imagens aqui que vão queimar na mente do espectador com tanta certeza quanto a morte de Vallon chamusca a jovem Amsterdã, enquanto a técnica escaldante de Scorsese (whip-pans, staccato jump-cuts, zooms reversos) sai de cada quadro. Marty e o rabisco Jay Cocks também fazem um bom punho para criar um drama épico, lançando sua rede além dos nativos e dos coelhos mortos para capturar a corrupção política de Nova York e, indo ainda mais longe, a Guerra Civil. Este é outro dos 'Westerns urbanos' de Marty, desta vez testemunhando o doloroso nascimento de uma nação.

No entanto, o principal ponto de venda de Gangs é Day-Lewis, de volta do exílio auto-imposto com um estrondo e uma piscadela. Sim, Leo está bem como o herói que nos pedem para ficar do lado (é natural que Scorsese, cujo pai era um imigrante, fique do lado dele), mas é Bill The Butcher quem rouba o show. Equipado com um chapéu de gato no chapéu e um olho de vidro brilhante, ele é parte vilão da pantomima, parte assassino implacável - um bicho-papão que se diverte com sua teatralidade, mas não chega a ser um desenho animado. Oscar de Gangues de Nova York? É uma boa aposta que a Academia começará com Day-Lewis...

Vale a pena esperar, apesar de oscilar entre o gênio e a bunda. A exuberância característica de Marty dá vida a este drama de época, e o vilão das sobrancelhas arqueadas de Daniel Day-Lewis é um verdadeiro espetáculo.



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