Revisão da primeira temporada de Luke Cage da Marvel: 'A fusão perfeita de hip-hop, heroísmo e comentários sociais'

Nosso Veredicto

A estreia solo de Luke Cage é poderosa, única e bonita de se ouvir, mas é prejudicada pela trama sem brilho na segunda metade da temporada.





GamesRadar+ Veredicto

A estreia solo de Luke Cage é poderosa, única e bonita de se ouvir, mas é prejudicada pela trama sem brilho na segunda metade da temporada.

O mundo está pronto para um homem negro à prova de balas. Essas foram as palavras ditas pelo showrunner de Luke Cage, Cheo Hodari Coker, na San Diego Comic Con no início deste ano, e nos meses seguintes essa citação só se tornou mais relevante. De fato, o comentário político adiciona outra camada de significado ao show – a segunda grande propriedade de ação ao vivo da Marvel a ser encabeçada por um super-herói negro (Blade chegou lá primeiro no final dos anos 90) – e embora a trama na segunda metade do temporada deixa muito a desejar, os pontos fortes de Luke Cage, em última análise, superam suas fraquezas.

Pegando meses após os eventos de Jessica Jones – em que Cage fez sua estréia no MCU – encontramos nosso herói titular varrendo o cabelo na Barbearia do Pop no Harlem, fazendo o possível para ficar fora do radar. Não demora muito para que ele entre em conflito com o chefe do crime Cornell 'Cottonmouth' Stokes (Mahershala Ali) e sua prima Mariah Dillard (Alfre Woodard), cada um com seus próprios projetos para a cidade.



Desde o primeiro episódio, Luke Cage se distingue de seus colegas da Marvel com sua representação íntima do Harlem, que nos dá uma autêntica fatia da cultura negra. Da música – que inclui participações especiais de artistas como Raphael Saadiq, Faith Evans, Jidenna e muito mais, bem como uma trilha perfeita de Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad – a uma participação especial do lendário Harlemite Dapper Dan, a pequenos personagens detalhes revelados em brincadeiras de barbearia, Harlem parece muito mais uma comunidade vivida do que Hell's Kitchen.

Embora esse nível de construção de mundo pareça um novo terreno para um programa (ou filme) de super-heróis da Marvel, Luke Cage tem seu quinhão de tropos. Por exemplo, o próprio Luke é um super-herói muito relutante – ele ainda não sabe se aceita ou não seu chamado, mesmo na segunda metade da temporada, o que é frustrante – e há arquétipos mais familiares a serem encontrados na série. policiais e vilões.



Felizmente, isso é cancelado principalmente pela forte caracterização e pela atuação ainda melhor. De fato, Luke Cage possui talvez o melhor elenco de apoio em qualquer série da Marvel Netflix até hoje; como Cottonmouth, Ali mastiga o cenário quase toda vez que está na tela, e um episódio de flashback adiciona muita complexidade ao seu vilão. Há também grandes reviravoltas de Frankie Faison – que faz diálogos desajeitados soarem meio autênticos – e Theo Rossi como o vilão oportunista Shades.

O melhor de tudo, Luke Cage apresenta três personagens proeminentes de mulheres de cor, todas inteligentes e confiantes em seus próprios caminhos. Woodard tem a difícil tarefa de traçar a evolução de Dillard de político corrupto para criminoso de pleno direito e ela navega soberbamente, e é especialmente bem-vindo ter a Claire Temple de Rosario Dawson retornando quando nosso herói é tão descompromissado (enquanto isso é por de longe a melhor utilização de Dawson até hoje, eu preferiria que ela não se tornasse um interesse amoroso novamente).



Depois, há Simone Missick como a detetive de fogo Misty Knight, e é difícil exagerar o quão boa ela é no papel. Não é de admirar por que já existe uma demanda pelo show solo de Misty e, com base nisso, a Marvel seria sensata em concordar com o pedido dos fãs. É tudo ancorado por Colter, que compartilha uma boa química com cada uma de suas co-estrelas. Ele exala confiança silenciosa como Cage, e isso é especialmente emocionante de assistir quando ele usa seus poderes. Um homem negro andando por um corredor, com capuz, sem vacilar diante de balas é uma imagem poderosa, e nunca é divertido assistir Cage despreocupadamente afastando criminosos – Colter chama isso de 'smack-fu' – ainda mais quando é trilha sonora por 'Bring da Ruckus' do Wu-Tang Clan. É importante ressaltar que Colter's Cage não é menos atraente quando ele não está nocauteando bandidos, e o personagem fica cada vez mais em camadas à medida que a temporada continua.

É lamentável, então, que o elenco seja decepcionado por problemas narrativos nos episódios finais, alguns dos quais poderiam ter sido evitados se o enredo não tivesse se estendido por 13 horas, uma crítica que sem dúvida vale para todos os programas da Marvel na Netflix. O vilão central deixa de ser um antagonista convincente para alguém que é excessivamente caricatural, um sub-enredo fabricado às pressas nos afasta desnecessariamente do Harlem, e o diálogo fica muito mais no nariz, resultando em algumas cenas muito bregas.

Com isso dito, há momentos em que essa mão pesada funciona, e nesses momentos Luke Cage se torna algo especial e único. O exemplo mais potente disso vem no episódio 12, onde Method Man faz um rap sobre Cage ser o herói do Harlem sobre uma montagem de homens negros em moletons perfurados por balas. É a fusão perfeita de hip-hop, heroísmo e comentários sociais que o programa admiravelmente busca, mas nem sempre consegue. Ser excessivamente ambicioso e ficar aquém é muito preferível a jogar pelo seguro, e mesmo que Luke Cage não seja o melhor da produção da Marvel na Netflix, certamente é o mais ousado ainda.



O veredito 3,5

3,5 de 5

Revisão da primeira temporada de Luke Cage da Marvel: 'A fusão perfeita de hip-hop, heroísmo e comentários sociais'

A estreia solo de Luke Cage é poderosa, única e bonita de se ouvir, mas é prejudicada pela trama sem brilho na segunda metade da temporada.

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